PAÍS DA POESIA
POÉTICA
Mais ensombreado e triste,
o impossível, o tenebroso,
o âmbito inflexível dos poemas:
rasgar os peitos das siriemas
roubar os cantos
rubrar encantos
petrificar as relvas
nelas sepultar poemas
E abandonar em meio a muitos
cadáveres
o poeta
roxo de prazer mórbido
engendrar em tantos ventres pútridos
os ovos da ausência de deus,
e subitamente ver
um verme ridículo nascer
o poeta então o devora
na verdade o poeta o adora
este filho bastardo de deus,
o âmbito inflexível dos poemas:
rasgar os peitos das siriemas
roubar os cantos
rubrar encantos
petrificar as relvas
nelas sepultar poemas.
RESPOSTA A AUGUSTO DOS ANJOS
Vês, Augusto,
não floresceram os ciprestes
desde o enterro da tua última quimera.
E aquela mão que afagava,
Augusto,
nem à pedra me recomendou.
Tenho fumado muitos cigarros
desde então...
O beijo, Augusto, é na verdade
a véspera de tudo.
O escarro, amigo, talvez seja o princípio
que sempre nos permeou.
Assim, Augusto, talvez seja justo
que os ciprestes não dêem flores
e que amor seja só mais uma palavra.
FIREHNEIT
Repito palavras, repito discursos.
Tudo foi de tal forma dito
que tornou impraticável a boa sabedoria da mimese.
E talvez um dia venham a atear fogo
à universidade chamada Biblioteca.
Imagina Balzac e Faulkner,
Virgílio e Dante, ardendo
numa fogueira primitiva
a restaurar a sacralidade do fogo.
Monday, November 07, 2005
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